Opinião: Duna, Frank Herbert

3,5 em 5 estrelas

Lido de 2 Jun a 23 Jun

 

Nota: Esta opinião é acerca do livro inteiro e não apenas ao 1º ou 2º volume. (Tenho pena que o livro tenha sido dividido em dois, mas pelo menos esta venda de livros com o jornal Público deu-me a possibilidade de o ler e ter pelo menos o 1º volume numa altura em que não é possível encontrar à venda!)

 

Duna

 

Neste clássico da ficção-científica somos rapidamente colocados num mundo desconhecido e desértico: Arrakis a.k.a. Duna. Aí, a água é escassa e o calor é abrasador, levando os seus habitantes a suportarem condições extremas e a moldá-los dessa forma. A misteriosa especiaria que possui uma enorme importância económica (já para não referir dependência) para o Império tem lá a sua origem.

 

Desde o início é-nos apresentado um leque de personagens complexas, com backgrounds muito ricos e diferentes: desde as bruxas Bene Gesserits, às máquinas humanas de pensamento calculista chamadas mentats, Duques, Barões, entre outros; mas é à volta de Paul, o filho do Duque Leto Atreides e da Bene Gesserit Jessica, que a história se desenrola. Caímos imediatamente no meio da intriga política que instala à volta do domínio do planeta Arrakis e da sua especiaria.

 

Gostei do setting único que caracteriza as intempéries de Arrakis (apesar de me ter custado um pouco imaginar as cenas), bem como os conjuntos de personagens únicas que nos são apresentadas. Senti-me bastante curiosa em saber mais sobre cada uma, sobre como chegaram ali e quais as suas intenções.

 

Confesso que demorei bastante a conseguir entrar na história e ainda mais a relacionar-me com as personagens (nem sempre entendi Paul nem a mãe, Jessica). As últimas 150 páginas do 2º volume foram sem dúvida as que me prenderam e em 2 dias acabei o livro.

 

Outros comentários/Reflexões

 

Arrakis levou-me principalmente a pensar sobre o uso de água no nosso dia-a-dia, porque todos sabemos que invariavelmente a desperdiçamos e que deveríamos ter muito mais cuidado e fazer um uso consciente dela do que na realidade fazemos. Num planeta desértico em que cada gotícula de transpiração não deve ser desperdiçada em vão, é fácil ver como a água se torna a riqueza que toma um papel tão importante e constante na vida dos seus habitantes. Adorei como este assunto se tornou uma parte tão importante da história, revelou-se muito mais que uma preocupação moral e uma questão de sobrevivência: era a história da história, enraizou-se em costumes, mudou mentalidades e tornou-se um meio para alcançar um fim. A brutalidade característica dos fremen passa a ser compreensível, “normal” até. Dei por mim várias vezes a olhar para um copo de água que não tinha bebido todo e pensar “em Arrakis matariam por isto, que desperdício” (e sim, depois bebia o resto de água). Também a religião toma um papel importante em Duna: era a fé que os fazia continuar algo que ia muito para além deles e quando a religião é cultivada com cuidado… Bem, as implicações alcançam uma escada muito maior.

 

A grande maioria das pessoas recomenda este livro como um stand alone, mas… Honestamente para mim não resulta nada bem, acho que lhe falta claramente algo, contudo não sei se irei ler os restantes ou sequer o próximo. Tenho pena de não ter gostado tanto quanto pensei que iria gostar, talvez pensasse encontrar algo diferente, mas é sem dúvida recomendável! Tem um enredo intrigante e um setting diferente, de uma genialidade espetacular!

 

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