Opinião: O Lar da Senhora Peregrine Para Crianças Peculiares, Ransom Riggs

3,25 deestrelas

Lido de 8 Agosto a 24 Agosto

 

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Este é o primeiro livro da trilogia Miss Peregrine’s Peculiar Children, sendo Fantasia>Paranormal e Young Adult.

Estranhos acontecimentos levam a uma tragédia familiar que tem um grande impacto em Jacob, a personagem principal, e fá-lo partir numa viagem com o pai para uma ilha remota no País de Gales a fim de descobrir mais sobre o passado do avô. É aí que começa uma nova e perigosa aventura para descobrir mais acerca de si próprio e da misteriosa vida do avô, principalmente a que viveu durante a adolescência.

 

A história passa-se maioritariamente numa ilha no País de Gales, cujo tempo não é simpático para os habitantes (e muito menos para os visitantes), mas ajuda definitivamente a criar a atmosfera de mistério e dá também um toquezinho creepy aos acontecimentos.

 

Tenho de admitir que quando comecei a ler o livro o achei um pouco creepy e por momentos questionei-me se a história se iria afundar mais nesta linha, mas a verdade é que nem por isso. Existe sempre um sentido de mistério perigoso que acompanha os acontecimentos, mas não é nada de aterrorizante ou coisa do género (a não ser que se seja muito sensível, porque existem sempre uns toques aqui e ali). Existe um momento que tem um toquezinho de thriller psicológico que também gostei muito, assim como, definitivamente, a atmosfera mistério perigoso que existe do início ao fim. (Também não posso deixar de dizer que há um toquezinho de viagem no tempo numa forma diferente do habitual, que marcou muitos pontos comigo porque… viagem no tempo, não é verdade?)

 

Contudo, acerca do enredo não quero dizer muito porque acho que a história é muito mais interessante se se entrar nela sem se saber muito, exatamente por causa da atmosfera de mistério e perigo.

 

Quanto às personagens… Gostei muito da forte ligação do Jacob com o avô e, apesar de a relação com os pais não ser tão forte, achei que a importância que atribuiu a uma decisão que os iria afetar foi muito importante, houve muita indecisão sobre as consequências da sua escolha e gostei disso. Ao longo do livro estão espalhadas várias fotos antigas que ajudam a contar a narrativa, com histórias fantásticas que revolvem à volta delas e que adicionam mais um toque fantástico à história e há também uma grande variedade de personagens (peculiares), que foram dos aspetos que mais gostei!

 

Contudo, confesso que apesar das personagens e da história serem muito interessantes não consegui estar a 100% investida no livro… Às vezes desinteressava-me com o que se passava com as personagens, mas depois lá havia um ou outro ponto no enredo que voltava a conseguir a minha atenção. Houve também uma relação (amorosa) que devido a motivos achei um pouco estranha, apesar de conseguir ver as perspetivas de ambas as personagens sobre o assunto, mas também achei piada ao facto desta minha perspetiva também ser referida.

 

Para mim, O Lar Da Senhora Peregrine Para Crianças Peculiares foi uma boa história peculiar devido aos elementos fantásticos e de mistério perigoso. Por isso, recomendo a quem quiser ler um livro com estes elementos! Sendo o primeiro livro de uma trilogia, não deixei de ficar curiosa o suficiente para ler os próximos!

 

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Opinião: The Final Empire, Brandon Sanderson

5 emestrelas

Lido de 26 Junho a 7 Julho

The Final Empire

 

The Final Empire (O Império Final, em português) é o primeiro livro da trilogia de fantasia Mistborn. No Império Final as pessoas estão basicamente divididas em duas categorias: skaa – os escravos submissos, sem esperança e oprimidos; e a nobreza – controlam os skaa, controlam a economia e acham-se superiores aos seus escravos, nem os considerando realmente pessoas. Neste universo existe um sistema de magia chamado Alomância em que algumas pessoas podem ingerir certos metais e ao “queimá-los” dentro de si adquirem habilidades que são especificas ao metal que ingeriram. Ainda não conheço muitos sistemas de magia, mas isto foi o que me levou principalmente a querer ler esta trilogia (soube do livro pelos vídeos da Regan do PeruseProject), se bem que o facto de depois ter visto mais reviews muito boas doutros booktubers me convenceu completamente. Nunca antes tinha ouvido falar de algo remotamente parecido e chamou logo a minha atenção, não podia deixar escapar algo assim tão peculiar!

 

As personagens são todas incrivelmente bem construídas, tanto as boas como as más, principais e secundárias, achei-as reais e relacionáveis! Desde o inicio fiquei rendida, sempre curiosa e preocupada/entusiasmada com o que lhes acontecia e pelo passado delas. E ahhhh, se há momentos de prender a respiração e soltar uma lagrimazinha…! Tem também momentos engraçados e de bom humor! A história centra-se num grupo de ladrões, chefiado pelo carismático Kelsier que quer mudar a realidade em que todos vivem. Também temos uma forte personagem feminina à qual nos rendemos desde o início e há poucas coisas que são tão satisfatórias como acompanharmos o desenvolvimento e crescimento das personagens e este foi sem dúvida o caso da Vin. Contudo, não foi a única!

 

Adorei o setting peculiar do Final Empire, com o seu sol vermelho e a queda quase constante de flocos de cinza do céu que deixam tudo negro à sua passagem e evitam que as plantas tenham as suas cores “naturais” (verdes, com cores garridas e cheias de vida, como as conhecemos) e passem a ser antes de um acastanhado murcho. Esta versão do mundo é o que é “normal” para os seus habitantes que nunca antes conheceram as coisas de outra forma.

 

Quanto a pontos negativos… Não tenho nada a apontar, honestamente achei todas partes e capítulos relevantes porque adicionavam algo importante à narrativa.

 

Sem dúvida que as personagens, a escrita (considerei-a fácil tendo em conta que não costumo ler em inglês, apesar de encontrar várias palavras que desconhecia principalmente durante as 20 primeiras páginas, mas nada que uma ida rápida a um dicionário inglês/inglês não resolva, também não achei que quebrasse a fluidez da história para mim) e o ENREDO foram o que me prenderam ao livro!

 

Outros comentários/Reflexões

 

O setting foi realmente uma das coisas que me fez pensar mais… Já tentaram imaginar? O ambiente que descrevem tornava facilmente tudo ainda mais opressivo e acho que a capa da edição que li capta esta característica muito bem. Vivendo no campo, tentei imaginar como seria se o verde vibrante que cobre tudo fosse substituído por um castanho murcho e, honestamente, doeu por dentro. Fez-me entender o quanto valorizo as paisagens verdes e deslumbrantes e o preço que hoje em dia pagamos pela desflorestação, urbanização e incêndios.

 

Em relação a ler em inglês, recomendo um dicionário inglês/inglês em vez de um inglês/português ou o Google Tradutor (neste caso como ferramenta de tradução), porque eram estes os meios que eu usava no início, mas:

  1. O tradutor nem sempre dá a palavra apropriada à situação ou pode ser difícil escolher a palavra que melhor se adequa ao contexto;
  2. Nem sempre a tradução da palavra é a que melhor descreve/adequa ao contexto (traduções literais);
  3. É incrivelmente mais simples e fácil de compreender a descrição em inglês dessa palavra;
    Contudo… Bem, não é fácil andar com um dicionário atrás sempre que se quer ler e pode dar um pouco mais trabalho a procurar. Por outro lado podem utilizar o Google Tradutor para ver o significado em inglês em vez da sua tradução. É claro que podem passar as palavras que desconhecem à frente, nem sempre são significativas e eu fiz isso algumas vezes tendo em conta que também o faço com palavras portuguesas cujo significado desconheço e na altura não me apetece parar a leitura e ir procurar.

 

Graças a este livro/trilogia (porque comprei o boxed set) estou completamente fã das versões inglesas com os seus formatos mais pequenos e incrivelmente leves!

 

Em português, a trilogia Mistborn é editada pela Saída de Emergência.

 

The Final Empire (e certamente toda a trilogia Mistborn) é altamente recomendado a quem gosta de fantasia, um sistema de magia diferente, uma personagem feminina forte, ladrões e revoluções!

 

Opinião: Duna, Frank Herbert

3,5 em 5 estrelas

Lido de 2 Jun a 23 Jun

 

Nota: Esta opinião é acerca do livro inteiro e não apenas ao 1º ou 2º volume. (Tenho pena que o livro tenha sido dividido em dois, mas pelo menos esta venda de livros com o jornal Público deu-me a possibilidade de o ler e ter pelo menos o 1º volume numa altura em que não é possível encontrar à venda!)

 

Duna

 

Neste clássico da ficção-científica somos rapidamente colocados num mundo desconhecido e desértico: Arrakis a.k.a. Duna. Aí, a água é escassa e o calor é abrasador, levando os seus habitantes a suportarem condições extremas e a moldá-los dessa forma. A misteriosa especiaria que possui uma enorme importância económica (já para não referir dependência) para o Império tem lá a sua origem.

 

Desde o início é-nos apresentado um leque de personagens complexas, com backgrounds muito ricos e diferentes: desde as bruxas Bene Gesserits, às máquinas humanas de pensamento calculista chamadas mentats, Duques, Barões, entre outros; mas é à volta de Paul, o filho do Duque Leto Atreides e da Bene Gesserit Jessica, que a história se desenrola. Caímos imediatamente no meio da intriga política que instala à volta do domínio do planeta Arrakis e da sua especiaria.

 

Gostei do setting único que caracteriza as intempéries de Arrakis (apesar de me ter custado um pouco imaginar as cenas), bem como os conjuntos de personagens únicas que nos são apresentadas. Senti-me bastante curiosa em saber mais sobre cada uma, sobre como chegaram ali e quais as suas intenções.

 

Confesso que demorei bastante a conseguir entrar na história e ainda mais a relacionar-me com as personagens (nem sempre entendi Paul nem a mãe, Jessica). As últimas 150 páginas do 2º volume foram sem dúvida as que me prenderam e em 2 dias acabei o livro.

 

Outros comentários/Reflexões

 

Arrakis levou-me principalmente a pensar sobre o uso de água no nosso dia-a-dia, porque todos sabemos que invariavelmente a desperdiçamos e que deveríamos ter muito mais cuidado e fazer um uso consciente dela do que na realidade fazemos. Num planeta desértico em que cada gotícula de transpiração não deve ser desperdiçada em vão, é fácil ver como a água se torna a riqueza que toma um papel tão importante e constante na vida dos seus habitantes. Adorei como este assunto se tornou uma parte tão importante da história, revelou-se muito mais que uma preocupação moral e uma questão de sobrevivência: era a história da história, enraizou-se em costumes, mudou mentalidades e tornou-se um meio para alcançar um fim. A brutalidade característica dos fremen passa a ser compreensível, “normal” até. Dei por mim várias vezes a olhar para um copo de água que não tinha bebido todo e pensar “em Arrakis matariam por isto, que desperdício” (e sim, depois bebia o resto de água). Também a religião toma um papel importante em Duna: era a fé que os fazia continuar algo que ia muito para além deles e quando a religião é cultivada com cuidado… Bem, as implicações alcançam uma escada muito maior.

 

A grande maioria das pessoas recomenda este livro como um stand alone, mas… Honestamente para mim não resulta nada bem, acho que lhe falta claramente algo, contudo não sei se irei ler os restantes ou sequer o próximo. Tenho pena de não ter gostado tanto quanto pensei que iria gostar, talvez pensasse encontrar algo diferente, mas é sem dúvida recomendável! Tem um enredo intrigante e um setting diferente, de uma genialidade espetacular!